sábado, 13 de junho de 2009

Irreverência...

Todos e cada um
Somos únicos e individuais.
Em identidades e rituais
Seja o sóbrio ou o bebum.

Foram anos virando o que sou
Mesmo que grande coisa não seja.
Aonde quer que eu vá, que veja
O que este monte de carne virou.

Se ao capital me rendo
E em sacrifício me entrego
Como vingança tenho o ego
Que, creio, está crescendo

Mesmo trabalhador honesto
E sentindo prazer nisto,
Que descontraia no chisto
E me revolte no gesto.

Se máscaras quiserem
Muitas temos no “mercado”.
Se essências procuram
Que de outro comam o rabo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Voltei a desenhar...

Não é grande coisa, mas foi legal desenhar algo que as pessoas acharam bom. Foi para uma publicação da empresa onde trabalho, com direito a créditos e tals... Dá uma bilada aí embaixo:

Agora colorido:

É sempre bom ter uma desculpa para fazer uma coisa que gosto... Talvez eu devesse fazer sem precisar de desculpas.
Obs.: Se mais alguém for usar isso, por favor, ao menos me credite, ok? :^P

sábado, 23 de maio de 2009

Grilhões

Dia após dia, insistente, labuto
Como artífice às ordens do feitor.
Executo, sem pensar, trabalho bruto
Fugindo da miséria e do temor.

Com certo amor, obro meu ofício
Atado ao pesado grilhão invisível
Deste pacto – árduo, mas exeqüível –
E de bom grado me entrego em sacrifício

Minhas mãos golpeiam como raio
As teclas desta tábua frágil e rasa.
Qual malho batendo ferro em brasa,
“Trovejam”, imagina este lacaio.

Partindo das negras nuvens da mente,
Descendo quente e tortuoso pelo braço,
Gritando qual trovão em estardalhaço
Fulmina o alvo, na queda em luz serpente.

Golpeio, continuamente, esta peça
E do bruto tiro o belo, com suor.
Amoródio me impele na promessa
De trazer aos meus um bem maior.

Todo o ouro que em minha face atiram,
E uma folga semanal que me esmolam,
Na miséria e no mal que a tudo assolam
Garante que meus queridos não mais vivam.

Trabalhador, assalariado, será livre
Ou um escravo consentido é de fato?
É saber que só com posses se vive
O preço de viver em mundo farto.

Exagero na dor, mas não disfarço:
Magoa o lombo esta ínfima agonia.
Se me condena por falácia ou heresia
Digo, “é meu ego, e não eu, que a despacho!”

Que da dor a beleza se alimente,
Se é dor o que acompanha esta obra,
Que a fina agonia talhe rente
Harmonia, da mais pura, nesta forma.

Talvez um dia arrebente o grilhão
E, quem sabe, nem mesmo me arrependa.
Talvez brade “viva, guardei meu quinhão!”,
E escarre no sistema que me sustenta.

sábado, 9 de maio de 2009

Hora de voltar...

Engraçado isso de falar e escrever para ser entendido. De onde saiu a palavra? A natureza não disse que era o melhor jeito de se comunicar. Em algum momento optamos por palavras ou invés de por exemplo o canto (que certamente surgiu primeiro, pelo menos o bodejado).

Talvez a palavra seja um limitador, um elemento ao redor do qual nosso intelecto se agarrou para evoluir com coerência. Mas talvez este elemento seja uma âncora, que nos atrasou. É possível. Pode ter sido uma decisão equivocada que tomamos e da qual não conseguimos nos livrar.

Se eu estiver certo e, mesmo com a âncora da palavra é possível produzir a beleza que alguns autores conseguem, como não seria a beleza produzida se tivéssemos a música como língua? Ou apenas os gestos (como na dança)?

Talvez eu pense nisso por me achar quase completamente burro quando o assunto é música, dança ou outras expressões assim, aparentemente mais primitivas ou ineficientes em comparação com a língua - que tanto evoluiu.

Pensar demais dá nessas idéias doidas.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Vamos dar um tempo por aqui...



Para não chatear os eventuais leitores que comparecerem com esse arremedo de crise de 30 anos, ou com comentários despropositados e superficiais acerca de assuntos irrelevantes e corriqueiros, vou dar um PAUSE neste blog.

Não dou prazo pois não quero matar todos os meus "ávidos leitores" de tanta expectativa. Acho que ficará fechado pelo menos até eu encontrar algo vagamente interessante para dizer.

Grato pela atenção dispensada.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Vai dar tempo?

Quero viajar, conhecer outros mundos, ler outros livros... ver outras cidades, aprender música e pintura.

Quero encontrar meus talentos, se os tiver. Quero ser pai e brincar com eles. Quero cumprir uma missão, mas antes tenho que descobrir qual é...

Será que vai dar tempo?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Pra onde vamos?


Ou melhor... Pra onde vou?

Já estive em encruzilhadas... todo mundo já passou por isso. Mas em geral você tem duas ou três opções (variando em graus de complexidade e segurança), que você meio que conhece e são fixas.

Nunca tinha me sentido numa encruzilhada que aumenta as opções, a cada minuto. Todas arriscadas exceto a da óbvia e monótona segurança.

Preciso parar de falar de mim... Nem eu estou agüentando este blog :^)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Um pouco de comida... É pedir demais?

Ou estou ficando velho ou o mundo está piorando. Parece que está ficando mais freqüente ouvir histórias de abusos de poder econômico, político ou a boa e velha autoridade policial despreparada.

Marcelo e Vanessa tiveram que levantar a voz para tentar impedir que um babaca, dono do restaurante Casa Caiada, enxotasse uma pobre senhora - que, não bastando ser portadora de hanseníase (já tinha perdido a maior parte dos dedos), ainda era diabética.

Sempre ouço as velhas desculpas, do tipo "não dou dinheiro senão vai gastar em cachaça" ou "dar dinheiro a criança é manter ela na rua". Ok, não quer dar, não dê. Eu mesmo acabo dando a desculpa do "não tenho" às vezes, mas ainda prefiro dar, pois espero o melhor das pessoas, e não o pior. Vai que aquele 1 real é tudo o que a pessoa vai ter para comer naquele dia?

Sei que algumas pessoas acabam fazendo justamente o pior, mas às vezes elas não têm mais escolha (eu nunca morei na rua nem matei a fome com cana ou cola pra saber como é). Já ouvi até assistentes sociais dizendo pra não dar esmola (a pessoa pingando ouro dizer isso me soa muquirana, e não consciente), mas deixar por isso é uma omissão que mata.

Comprei pacotes de bolacha e sacos de leite em pó pra carregar dentro do carro. Se aparecer uma mãe pedindo dinheiro com criança no colo, dou o leite. Melhor dar isso que cruzar os braços ou enxotar os coitados.

Me chamem de ingênuo, não tô ligando.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Diálogo com Barros

Roberto: Viado cabeludo que luta a luta dos judeus,
Aqui é o Roberto. Me diz qualquer coisa.

Aloísio: Ceifador de regras e pescador de rimas,
Trava o bom combate com a opaca rutilância do papiro inerte,
Lembra que (embora distante) guardo teu flanco com o flanco meu,
Surpreende os fariseus (e vara seus corações)
Com os afiados filactérios que o alçapão de tua cabeça verte,
Comemora a vitória como um viking.
Mas se o hidromel acabar, dividamos então uma garrafa de cajuína!
Serviu de qualquer coisa? :^P
Abraço, ó menestrel do pinel

Roberto: Menesca, tenho msn. É o mesmo e-mail. Entra aí.

Aloísio: Aqui é bloqueado, velho. Só em casa, à noite mesmo, ou no final de semana.
Como está de delírios artísticos? Novidades na poesia e nos desenhos? Espero que dia dia você pinte o que pensa, velho. Andrea me encaminhou um e-mail teu falando de um poema perdido por ti, mas encontrado e cultuado por dez anos... Pense num cara de moral :^)
Manda as novas aí

Roberto: Em casa o msn é bloqueado. Tem muita coisa nova rolando. Vou anexar algumas.

Aloísio: Cara, muito bom. O Reto Mar e o Outono são muito bons. Mas o da multidão é pancada demais. Tapa na cara mesmo.

Roberto: Eu não sei se estes poemas são meus. Não tenho certeza. Não conheço estes lugares dos quais falo. Sei que eles existem. São reais. As coisas têm se confundido ultimamente. Numa boa. Só que é uma confusão dos diabos.
A genialidade da multidão é meu com certeza. É porrada mesmo. Minha energia é foda. Por isso fica todo mundo me dizendo para mudar. Para ter cuidado com as vitrines. Para não derramar o leite. Para limpar a boca. Para lavar as mãos. Então eu fiz este poema.

Aloísio: Irmão de armas (espero não estar sendo pretensioso), tenho orgulho e tenho medo.
Vejo em você angústia e revolta com este mundo, além da busca de outro.
Esta busca é do outro neste, escondido entre os momentos e nas sombras das relações.
A conformação dos humanos ao redor ressoa forte num silêncio de estourar o tímpano.
Eles moucos a nós, nós tentando chacoalhar os pobres catatônicos.
Saudamos o passado, mesmo que não o próprio
(mas qualquer passado é um bom passado, desde que possa ser contado),
por no presente não encontrar essências nem éteres.
Um mundo só de matéria parece não valer a pena.
O orgulho e medo, eu explico.
Orgulho e medo de ver em você um eu ao quadrado, de ver em mim um você comedido.
Espero que isso continue significando que somos amigos, por que se um dia não suportarmos a nós próprios,
com certeza não suportaremos um ao outro... e a este mundo muito menos.
E neste dia, só resta embarcar no próximo mundo (pois deste nada se leva... nada a não ser um trocado pro Caronte).
Espero que no próximo eu não encontre nada tão mundano e humano quanto hierarquias,
burocratas, tarefas sem sentido e objetivos vagos.
Sonho demais, talvez por isso a realidade seja tão frustrante.
Estaremos doidos? Talvez, mas Gaiman diria: "sim, mas só na verdade!"
Se importa de eu colocar esse nosso diálogo no meu blog?

Roberto: Somos amigos de frutos. Diante de tudo nada mais. O comunicado vem através dos tambores. Vivas para os que herdarão os pântanos e as serpentes.
Pode colocar no blogue.

domingo, 28 de setembro de 2008

Entre cataclismas, dilúvios e apocalipses...

Quando eu tinha algo em torno de 15 anos eu tentava disfarçar o que hoje eu acho ser uma leve depressão, típica dos socialmente isolados como eu na época. Até hoje sonho coisas loucas e absurdas, mas na época tudo girava em torno de apocalipse, morte, armagedon, suicídio... E comecei a me divertir com esses sonhos.

Nem vou discorrer sobre os dramas adolescentes, pois tô velho demais pra isso, mas nunca esqueci os sonhos e um dia vou escrever mais a fundo sobre eles, ou (quando desenhar e pintar melhor) colocá-los numa tela.

Um dos mais marcantes foi um em que eu estava no "canto das coroas", uma calçada no Icaraí onde íamos chupar laranjas e conversar besteira quando pequenos. Era de manhã ou fim de tarde. Olhando o mar vejo ele borbulhar forte num ponto. A borbulha aumentou até ficar larga como o Castelão. Dali saiu uma antena, que subiu e foi alargando. Era um foguete saído de desenho animado, bem arredondado, saído de algum filme do Tim Burton.

Ele decola, lá no alto gira, e cai no mesmo ponto... Acordei rindo pq era ridículo demais. Mas foi legal :^)

Acho que se eu soubesse o que era isso, aos 16 eu seria EMO... Que droga :^P

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Obrigado, meus amigos...

Um cara comum. Estranho, mas comum. Uma estranheza sutil, mas suficiente para ele se sentir deslocado e os outros o deslocarem. Um cara comum, tratado como estranho apesar de não ser tanto assim.

Convencido de sua própria estranheza – o deslocamento é um argumento forte – procurou entender se tinha algo de especial e incompreendido, mas não encontrou. Quando se trata de entender sua própria natureza, o ser humano parece sofrer de hipermetropia – é mais fácil enxergar à distância do que de perto.

Sua única coisa de especial parecia ser essa estranheza e tentou superá-la e disfarçá-la, sem sucesso – interpretar a falta dela era um esforço duro e ineficaz.

Acostumou-se à estranheza, achando que ela o destacava, e não mais de maneira negativa. Não era positiva (não o tornava mais belo ou atraente), mas era de uma neutralidade que intrigava. Mais velho e um pouco mais maduro, viu que a idéia de ser intrigante agora lhe parecia melhor do ser popular (a popularidade freqüentemente adere a pessoas tão medíocres e sem imaginação quanto o público que as idolatra), e a abraçou.

Com o tempo Encontrou pessoas tão ou mais intrigantes que ele, algumas com talentos escondidos e outras não (ou com talentos que ele nunca percebeu). Percebeu que estas pessoas pareciam ser tão deslocadas quanto ele e que também deviam ter sofrido com o deslocamento. Começou a se sentir normal, integrado. Começou a se sentir um cara comum.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Algo mais?

Esses dias voltei a pensar em coisas que não penso há tempos: religião. Acho que é saudável avaliar se minha postura está correta ou não de vez em quando (coisa que as religiões normalmente evitam que você faça).

Minha maior implicância é com as estruturas burocráticas que elas criam para explicar a realidade. Hierarquias (quando não são santos ou anjos, são espíritos mais evoluídos), recompensas e punições (esse lance de não pecar com medo do inferno tira todo o mérito de qualquer boa ação) e um criador absolutamente bom e generoso (do jeito que a coisa corre, eu apostaria mais num cara que criou um aquário e fica vendo o que os peixes brigando, só pra saber quem vence) me parecem coisas tão excessivamente "humanas" (no pior sentido da palavra - artificial, mundano e até mesquinho am alguns momentos) que não consigo aceitar como elementos "naturais" de nossa "realidade cósmica".

Tive um contato recente com umbanda, mas por mais que tenha apreciado culturalmente o ritual, a música, as intenções e a própria recriação do ambiente da senzala e da taba, ainda é complicado aceitar que espíritos baixam. É o tipo da coisa que só vou aceitar no dia que acontecer diretamente comigo (aceitar sem vivenciar pra mim é como baixar a cabeça sem questionar em plena ditadura). Mas apreciei o fato de ser algo legítimo, surgido do povo e com forte influência de religiões primitivas desta terra (tudo mais que tem por aí é meio emprestado, trazido por elites ou modismos).

Hoje li sobre o uso da hayuazca e do peiote. Apesar de em ambos os casos os usuários falarem da percepção espiritual ou coisa parecida, esses rituais xamânicos também falam em contato com o eu interior, em alguns casos seu totem (uma espécie de animal ao qual você se liga) ou o contato com um conhecimento primal que o dia-a-dia nos impede de enxergar, mas que está sempre aí.

Acho que preciso de algo assim pra definir de uma vez por todas a minha crença ou descrença. Alguém quer me mandar umas ervas dessas preu tomar o chá? :^)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Preconceito cabeludo... maldita trança...

Pois é. Quando eu disse na Praça do Ferreira em voz alta que também sou vítima do preconceito, uma dona olhou pra mim com cara de raiva. Mas se ela estivesse ao meu lado no Iguatemi no último Sábado, logo após a sessão do filme The Dark Knight, ela teria me dado razão.

Assim que saí do cinema, desci as escadas até o andar da praça de alimentação, mas ainda próximo ao UCI. Quando me escorei no parapeito para re-amarrar meus cadarços, fui abordado por um segurança do shopping. Com toda a educação, admito, ele me disse: "Por favor, peço que se retirem desta área, pois não é permitido ficar aqui!".

Abismado com a regra, que não é sinalizada através de placas em nenhum lugar, olhei ao redor e percebi que havia grupos muito maiores que o meu (devia ter umas 12 pessoas comigo) em lugares onde de fato obstruíam a passagem (na saída da escada rolante, na porta que dá para o estacionamento). Mas por que me escolher para reclamar?

Quando pedi argumentos faltaram palavras ao segurança, que visivelmente estava incomodado em ter que fazer o pedido e que logo encenou o mesmo pedido aos outros grupos que apontei.

Comecei a imaginar quem havia pedido... Estávamos em frente a um restaurante metido a chique, onde havia um deputado de sorriso sardônico, Poty Arruda ou coisa que o valha. Ou foi o gerente do restauirante ou o político que solicitou nossa retirada. Não sei se por meus cabelos compridos, pela minha barba "de esquerda", pelas canelas brancas à mostra ou pelos tênis vermelhos, mas incomodei o povo. Quer dizer, de povo a administração do restaurante e o deputado não têm nada.

Pois é, tremi de raiva, esquentei por dentro, mas não queria descontar no segurança que apenas cumpria ordens (nem vou citar nazistas pois o cara deve ter uma família a alimentar e emprego não tá fácil) nem ia rodar baiana à tôa, pois não pretendia continuar naquela área proibida para cabeludos-barbados-de-bermuda-e-tênis-vermelho, mas que deu vontade deu.

O engraçado, ou não, é que entre uns 12 escolheram a mim como alvo. Pô, o Markinhos tem a cabeça raspada, o Marcelo tem o bucho sedutor dele e o Allyson tava de tênis xadrez... Por que logo eu fui escolhido como formador de opinião naquele grupo?

Só pode ser a trança! :^(

sexta-feira, 11 de julho de 2008

De volta...

Com tão pouco tempo de blog já estou abandonando? Não podia... Mas este é um blog paranóico e as conspirações ao meu redor estão mais obscuras do que nunca...

Ainda não coloquei aqui nenhum desenho meu, mas como não sou desenhista não tenho nada próprio mesmo. Ainda estou no ponto de copiar os outros (E OLHE LÁ!).

Mas como coisas bonitinhas não combinariam com este ambiente obscuro, vou pôr aqui algumas cópias que fiz. Seguem abaixo rabiscos emprestados de pessoas desconecidas e outras conhecidas:
Uma brincadeira sobre sentidos, um narigudo e um olhudo alienígenas de Crumb e sombras no rosto de Xavier, de Jim Lee.

Adoro desenhar velhinhos, acho que por que têm muitos traços a desenhar.

Aqui é uma imitação grosseira do traço do Marcatti. Gosto muito do estilo dele.

Essa com certeza é uma de minhas mais atrevidas cópias, mas acho que não ficou péssima não... Sinestro copiado de Alex Ross.

Desenhista não sei, mas como copiador um dia chego lá :^P

terça-feira, 3 de junho de 2008

Que merda...

Dia ruim... ok, dias ruins. Mas chegará o dia em que me cansarei da raça humana e vou morar numa praia isolada - plantando, colhendo e pescando o que comer. Se o Paulo Zulu consegue, pq eu não? (Só preciso ficar sarado, bonito e virar top model masculino :^P)

Parece loucura, eu sei, mas não consigo aturar a mesquinharia. Pessoas se canibalizando pra conseguir mais status e dinheiro, montando uma densa máscara para agradar a todos que podem oferecer vantagens e parecer interessantes e inteligentes... De tanto trabalharem a máscara esquecem de trabalhar a essência.

Inicialmente os seres humanos se distinguiam do resto da cadeia alimentar por possuir algo que os outros não possuíam. Inicialmente, imagino, sentimentos e emoções complexas. Depois, provavelmente, habilidade para usar ferramentas e facilitar tarefas (mais tarde construir coisas etc.).

Há algum tempo a única distinção parece ser a capacidade para se preocupar com coisas que não importam... Se distanciaram tanto do concretamente necessário que perderam contato com o real (nem vou discutir o conceito de real... vamos pelo senso comum). São tantas máscaras e tão pesadas que a essência se foi. Os interesses e a política são mais concretos do que a sinceridade.

Conviver e lidar com máscaras não é fácil. Com estátuas seria moleza - essas têm miolo.

:: Ok, eu estou resmungando... Podem me chamar de chorão, mas choro como um ninja - em silêncio e no escuro.

domingo, 25 de maio de 2008

O tempo é como areia que escorre entre os dedos...


... à medida que você tenta agarrar!

Ando tendo dificuldade para vir aqui, e olha que acabei de montar o blog. A falta de tempo, mais do que uma impressão paranóica de que a morte chega e meu próprio tempo acaba, é uma conseqüência direta do trabalho de 40 horas semanais.

Talvez por isso seja tão atraente uma vaga de assessor de imprensa da UFC, trabalhando 25 horas semanais... Passar mais tempo em casa com os gatos e Andrea e sair mais com os amigos também seria bom. Sei lá, mais tempo para estudar, de repente voltar a dar aulas também...

Vou parar de choramingar e não vou alimentar expectativas, pois acabei nem estudando para a prova. Agora é entregar nas mãos de Deus.

Será que ele dá chance a um ateu? :^P

::
Em tempo (atualizado às 19:28) - acertei 14 das 20 de português e 18 das 30 de conhecimentos específicos... Nada mal pra quem não estudou, mas isso é preu aprender que estudando posso me sair bem melhor :^)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Esses sonhos...

Em algum lugar no oriente (tô cansado e com preguiça demais pra pesquisar agora) dizem que estamos dormindo durante o dia e acordados à noite, quer dizer, despertando para o mundo real quando dormimos e vivendo uma ilusão enquanto acordados... Eu acho que eles só estão confusos com esse lance de fuso horário :^)

Uma tese recente (eu acho, tbm não tive saco de pesquisar) e ocidental (e como tal muito mais sem graça que a oriental), creio que bem mais aceita e lógica, diz que à noite organizamos nossas cabeças. É como se desfragmentássemos o drive C, e nesse processo nossa mente quase sem controle acaba achando lembranças antigas e misturando com coisas que pensamos ou vimos durante o dia. Faz muito sentido.

Há quem acredite que o espírito sai do corpo e vivencia aquelas experiências do sonho (o que significaria que tomei capuccino com um dragão chinês bêbado, e falando espanhol em pleno Iguatemi,outro dia - digo, noite) ou que sonhamos com o futuro, vidas passadas ou eventos distantes (espero não tomar aquele capuccino com um dragão bêbado falando em espanhol num futuro próximo... melhor evitar o Iguatemi :^P). Acho que nem preciso comentar, né?

Meus sonhos variam de loucos a cotidianos, fantásticos a românticos, cotidianos a aventurosos (misturei Piratas do Caribe com Senhor dos Anéis segunda passada). Às vezes extremamente estilizados visualmente, mas outras são histórias com narrativas clássicas ou sem narrativa.

Quando sonho com lugares do meu passado e presente, sempre são analogicamente diferentes do real (variam cores, tamanhos, número de portas e janelas, decoração etc.) mas simbolicamente sei dizer exatamente onde estou assim que lembro ou no próprio sonho. Nem vou citar os sonhos eróticos pra não fugir do tema :^)

Só sei que sonhar, dormindo ou acordado, é muito massa.

Quem apreciar estudos narrativos e gráficos, ou até filmes e séries, que abordem isso tudo, recomendo que procurem a obra de Neil Gaiman. Entre livros sugiro Deuses Americanos, Filhos de Anansi, Lugar Nenhum (com sorte encontrarão na internet a série de TV escrita por ele, que foi base para este livro) e Belas Maldições (este em parceria com Terry Prachett). Nos quadrinhos procurem ler Sandman. Na distrivídeo encontrarão Mirrormask (filme brilhantemente arquitetado por ele e pelo seu eterno capista Dave McKean). Boa leitura e boa "assistidura" :^)

Ah! Bons sonhos.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Agonia...

Numa pescada involuntária, lembrei de um sonho... Isso sempre acontece comigo. Esse foi estranho pq pareceu uma lembrança de muito tempo que surge toda de uma vez. Pra ter uma idéia foi uma pescada em que nem cheguei a fechar os olhos e me veio tudo isso:

"Sonhei que morava num vão. Um vão entre duas casas... Este vão tinha um toco na entrada de uns 2 metros de altura, pra dificultar a entrada de estranhos. Entrar, só de lado. Dentro dava pra ficar de frente, mas de braços baixos.
Dormia numa rede quadriculada azul e branca, com varandas, apertada entre as duas paredes e minhas poucas roupas ficavam penduradas em pregos. Dormia com os braços encostando dos dois lados do vão... Às vezes ficava de lado.
Havia um pote com água e uma caneca de alumínio fechando a boca, no fundo do vão. O pote era pequeno, e mesmo assim deu muito trabalho para botar lá dentro.
Em cima era o encontro de dois telhados, mas a calha improvizada de folha de alumínio não deixava eu me molhar. E era minha bica de banho e de água de beber.
Banheiro era o terreno baldio em frente.
Alguns sabem que moro ali, mas tomo cuidado pra que nem todo mundo me veja entrando e saindo.
Varro calçadas, faço faxina, qualquer bico que aparecer..."

Parece incompleto, mas não foi exatamente uma narrativa... Foi como todo um contexto de vida que veio todo junto, de uma vez. Uma realidade. E o mais estranho desse lance é que sei que é uma realidade perfeitamente plausível... Com certeza milhões vivem assim. Foda!

domingo, 13 de abril de 2008

Quem entende de música?

Desde pequeno fui fascinado por imagens... De desenhar coisas loucas e futuristas a personagens da Disney foi que partiu meu desejo de mexer com isso.

Mas foi depois de adulto que encontrei um lance totalmente louco que nem me atrevo a tocar. Literalmente! Tô falando de música. Não que eu não aprecie, aliás aprecio coisas bem rebuscadas, desde alguns clássicos (como Flight of the Bumble bee, de Nikolai Rimsky-Korsakov - clicando aqui vc vê tocado por Hefgott em Shine) a corais Zulu (clicando aqui você vê o melhor trecho do filme O Poder de Um Jovem).

Mas tem um lance incompreensível, o jeito como ela provoca um sentimento, um arrepio, uma reação... É meio mágico.

Ontem ouvi, na casa do Tito, um CD com "decomposições de acordes" que davam seis versões (para mim todas incompreensíveis) de Aquarela do Brasil. Acho que é meu teto, daí não passo. Mas meu cunhado sentiu piedade de mim e botou um CD com pegadinhas do Mussão! :^)

Ainda não entendo como algumas músicas me fazem "cócegas no cérebro", mas segue mais um link com um momento muito marcante que une o clássico ao rock'n roll, passando obrigatoriamente pelo blues... Clique aqui e assista/ouça o duelo de Ry Cooder ("dublado" por Ralph Macchio em "A Encruzilhada", ou Cross Roads) contra Steve Vai (um Jack Butler endemoniado).

Perdeu, Harry Potter! Mágica é isso aqui :^P

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Trabalha, branco, trabalha...


Chegou a hora... Retorno de minhas andanças caseiras, de minhas aventuras sem sair do lugar. O átimo que foram minhas férias, mais lisas que mussum ensaboado, se encerraram e me vejo novamente atado à labuta.

Escravo assumido, confesso que senti falta de determinados aspectos, como os pequenos desafios, as trocas do dia-a-dia e a indulgência dos pequenos reconhecimentos... Tudo parece meio pequeno quando a gente relaciona as coisas positivas, né?

É dose... Mas um dia compro meu Batmóvel!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Livre ou títere?

Não sei vocês, mas nos últimos anos tenho me revoltado cada vez mais com as injustiças do mundo. Abusos de poder, corrupção, violência, opressão, exclusão de todas as formas... Parece que a cada dia confio menos nas autoridades para fazerem o que precisa ser feito...

Mas percebi que não estou só. Roteiristas de quadrinhos e do cinema têm se voltado pra esse lado, e já faz um tempo. Em Matrix, os "mocinhos" atacam as "autoridades" e os inocentes ao seu redor sem piedade, explodindo, atirando e etc. Quando Alan Moore escreveu V de Vingança ele nem previa que virasse um filme (muito menos a sua revelia), mas virou, reproduzindo discurso semelhante mas mais bem embasado em um estado inglês autoridário de direita ultra-conservadora.

Ainda há vários outros, como Clube da Luta, Sin City, Santos Assassinos (Boondock Saints no original, que estou baixando), todos entoando em uníssono os mantras "não podemos ficar parados", "vamos fazer nossa própria justiça" e "não podemos confiar nas autoridades".

Eu mesmo concordo (em tese, pois sou convarde como a grande maioria _ ou simplesmente tenho muito a perder) com a essência dessas idéias, mas sou obrigado a me perguntar: eu concordo com essas idéias ou fui vítima do bombardeamento cultural? Minha própria ideologia é fruto de reflexão ou da facilidade de tirar proveito de idéias prontas que me atingem? Difícil responder...

Sabendo que os meios de comunicação sempre serviram a propósitos de pequenos grupos privilegiados e que normalmente os produtos culturais autênticos (frutos de expressão artística genuína e por isso dignos de respeito) só conseguem ser veiculados se servirem ao interesse de alguém com poder, eu me pergunto: que grupo teria interesse em subverter a ordem atual e poder para influenciar a mídia?

Não sei, mas espero que desta vez os que se apossarem do mundo sejam melhores que os monarcas, a igreja, os burgueses e os especuladores neo-burgueses. Será que finalmente teremos um mundo guiado por uma elite pseudo-intelectual proto-anarquista? Ou será que tomei caipiroska demais e já devia ter dormido? Acho mais fácil a segunda opção...

Por favor me indiquem outros filmes de conteúdo semelhante, pois talvez um dia eles consigam me provocar o suficiente para que eu tome uma atitude... Se não, pelo menos vou curtir a ação.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Marionetes


É... Andrea lembrou (em Macondo) que somos, segundo Guy Debord, apenas marionetes que se contentam (ou tentam se contentar) com das folgas e férias que nos dão para descansar (na verdade para termos tempo de gastar com outros setores do sistema que nos oprime). Isso para não falar das esmolas mirradas que nos oferecem por nosso trabalho (sempre subestimado para sustentar o luxo de nossos patrões).

Um tempo atrás escrevi uma baboseira de "revolta controlada" (ou revolta covarde), metida a poesia, mas era pretensiosa e rebuscada demais. Em vez disso vou deixar um link para um excelente vídeo com topless models jogando Nintendo Wii, clique aqui (Guy Debord não admitia, pois a moda era ser intelectual e homossexual na época, mas ele também adorava peitinhos =^P).

quarta-feira, 19 de março de 2008

Terror vazio!


E agora? Como eu faço? Tenho um blog paranóico e não sei o que escrever. Além de não ter leitores para justificar meu medo de dizer o que penso, estou com a cabeça vazia devido ao ócio decorrente das férias.
Desta vez escrevi pra alguém ler... Sou obrigado a mandar o link desse blog pros amigos lerem por piedade (assim garanto ao menos uma leitura/page view de cada um \=^P).

Bom, para dar um motivo para ao menos mangarem de mim, vou colar um trecho de uma baboseira que escrevi há um bocado de tempo, depois de um de meus sonhos estranhos... Mas manguem com cuidado, pois sou um ser sensível que só chora como um ninja: em silêncio e no escuro =^)

"Algo está para acontecer, mas não sei o que é. Me arrepio e viro rápido, mas nenhum vulto passa.
Imagino o som molhado de olhos se movendo... Quase os sinto varrendo meus movimentos.

Aquele vazio... o vácuo do estreito momento após alguém sair. Não deixam pistas...
Eles são bons. Paranóia? Talvez... Nem lembro direito quem sou, só sei que devo fugir.

E se eu me entregar? E, pior, se não houver ninguém atrás de mim?"

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Debut



Rapaz, estou cometendo um sério erro... Dizer o que pensa sempre é perigoso, mas escrever é dar a cara a tapa.

Mas como não tenho tanto a dizer (pelo menos nada sério...) eles não devem me incomodar... Sim, eles estão por aí, nos dizendo como devemos ser, vestir, falar...

Ei, você! É, você aí! Está falando comigo?